“Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data”
Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A Ciência Espírita, por Marcos Villas-Bôas


A Ciência Espírita
por Marcos Villas-Bôas
Como já mencionamos em dois textos publicados aqui no Jornal GGN[1], o Espiritismo tem três vertentes: científica, filosófica e moral ou religiosa, que estão intimamente interligadas.
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Essa inter-relação é mais clara hoje do que no século XVIII, quando predominava com mais força o reducionismo racionalista e cartesiano de Descartes e, assim, havia uma sede por separações, classificações e métodos de conhecimento afins, que facilitam a compreensão, mas, sem uma complexa e dinâmica visão sobre o fenômeno, também geram diversas confusões.  
 
Claramente, a vertente moral do Espiritismo, por ser o seu cerne e por exigir menos conhecimento intelectual no seu entendimento superficial, se desenvolveu muito mais no Brasil. É preciso estar atento, todavia, para o fato de que o Espiritismo, tal como codificado por Kardec, não buscava exercer um papel propriamente religioso. 
 
Kardec afirma, no Preâmbulo do livro “O que é Espiritismo?”, o seguinte:
“O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática ele consiste nas relações que se estabelecem entre nós e os espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que dimanam dessas mesmas relações”.[2].
Como se nota, Kardec não falava no Espiritismo como religião, situando a sua parte moral dentro da filosófica, pois, de fato, a moral sempre foi um dos principais problemas da filosofia, desde os gregos, e assim também o era no século XIX.
 
Na Revista Espírita de dezembro de 1868[3], em transcrição de um discurso intitulado “O Espiritismo é uma religião?”, Kardec deixa claríssimo que, se definida “religião”, do ponto de vista filosófico, como aquilo que gera um laço moral entre os homens, o Espiritismo é uma religião:
 
“Se é assim, perguntarão, então o Espiritismo é uma religião? Ora, sim, sem dúvida, senhores! No sentido filosófico, o Espiritismo é uma religião, e nós nos vangloriamos por isto, porque é a Doutrina que funda os vínculos da fraternidade e da comunhão de pensamentos, não sobre uma simples convenção, mas sobre bases mais sólidas: as próprias leis da Natureza”.
 
Logo em seguida, contudo, Kardec explica porque não define, em regra, o Espiritismo como uma religião:
 
“Por que, então, temos declarado que o Espiritismo não é uma religião? Em razão de não haver senão uma palavra para exprimir duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; porque desperta exclusivamente uma idéia de forma, que o Espiritismo não tem. Se o Espiritismo se dissesse uma religião, o público não veria aí mais que uma nova edição, uma variante, se se quiser, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com seu cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo e dos abusos contra os quais tantas vezes a opinião se levantou”. 
No item 8, do Capítulo I, do Evangelho segundo o Espiritismo[4], Kardec sustenta que a inteligência humana separou indevidamente ciência como o estudo da matéria e religião como o estudo do que é metafísico, mas que é preciso religar essas visões, interpenetrá-las. 
O conhecimento é um só. Quando se diz que é preciso fortalecer o aspecto científico do Espiritismo, não se quer dizer que ele é mais importante do que o moral, mas que um pilar de sustentação do mesmo pensamento está mais fraco do que o outro e que o fortalecimento de cada um depende da solidez do outro.  
 
A difusão da perspectiva religiosa do Espiritismo pode ser atribuída mais a Emmanuel, espírito guia de Chico Xavier, do que ao próprio Kardec. Não é à toa que Emmanuel era um espírito com forte crença no poder da religião e do rigor, o que provavelmente tem a ver, como causa e efeito, com suas diferentes encarnações como religioso. 
 
No livro “O Consolador”, de Chico Xavier, é mencionado que Emmanuel fez a seguinte afirmação:
“A ciência e a Filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém, a Religião é o ângulo divino que a liga ao céu. No seu aspecto científico e filosófico, a doutrina será sempre um campo nobre de investigações humanas, como outros movimentos coletivos, de natureza intelectual, que visam o aperfeiçoamento da Humanidade. No aspecto religioso, todavia, repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus-Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza do seu imenso futuro espiritual.””[5]  
Quando Emmanuel se referia a essa importância da religião, pelo que se pode entender, talvez estivesse pensando no mesmo que Kardec quando tratava da relevância do estudo da moral espírita por meio da filosofia. É preciso, portanto, tomar muito cuidado com definições e com a atribuição de maior importância a um dos aspectos do Espiritismo, quando eles, na verdade, estão muito bem interligados. 
 
A religião - tal como normalmente praticada na Terra, repleta de rituais, proibições e reprimendas - é criação dos homens, e não de espíritos elevados. O Espiritismo não tem rituais de batismo, primeira comunhão, casamento, extrema-unção, adoração, confissão, perdão pela repetição de “x” rezas etc. Aliás, muitas distorções do Espiritismo, como a visão de culpa, de um Deus que castiga e tantas outras ainda decorrem da tradição religiosa existente no mundo.
 
O Espiritismo também termina se confundindo com as religiões tradicionais por ter como base os ensinamentos de Jesus Cristo e por muitos dos seus adeptos terem sido religiosos que se desiludiram com suas respectivas religiões. 
Como lembra Haroldo Dutra Dias[6], a lei da natureza é uma só. O que se chama de “moral” é apenas uma forma humana de expressar aquilo que diz respeito ao bom agir, mas é consequência das mesmas leis que definem, por exemplo, a atração, vista como uma lei natural. Mas, se agir com amor leva à atração de mais amor e, portanto, de outros seres humanos dispostos a amar e a serem amados, como separar o moral do natural, se não for apenas para efeitos didáticos?
Não se percebendo essas questões e não se aprofundando na intelectualidade científica e filosófica do Espiritismo, fica muito mais difícil compreender quais são as leis morais e como segui-las para que se obtenha mais felicidade, pois amor, humildade e caridade são sentimentos sobre os quais quase todos falam e julgam ser seus praticantes mais fiéis. A fé, quando não pautada na razão, se torna guia de menor utilidade, perigosa e pode levar ao fanatismo.  
 
Um dos grandes méritos do Espiritismo é explicar racionalmente como esses sentimentos se manifestam em ações e que tipos de ações devem ser tomadas nos mais diversos contextos, que sugerem muitas vezes a necessidade de uma tomada de posição complexa em meio a diretrizes aparentemente contraditórias ou paradoxais.   
 
Quanto a ciência e filosofia, a interconexão delas é tema de estudo antigo fora do Espiritismo. O reducionismo separou aquele conhecimento mais afirmativo, que se experimenta e sobre o que se pretende encontrar verdades por meio de teorias testadas, daquele que é mais questionador, reflexivo, que se testa apenas pela razão e pela intuição. 
 
No final das contas, ciência sem filosofia é um conjunto de teorias frias, com pouca capacidade de trazer o progresso por falta de um profundo questionamento crítico, e filosofia sem ciência é um conjunto de abstrações soltas, sem grande aderência à prática, sem experimentação. 
 
Com o intuito de realizar a tarefa de difusão da Boa Nova, o Espiritismo deve ter muito cuidado com a tradição religiosa humana, servindo às religiões como uma ferramenta de sua reconstrução, como a grande ciência (e filosofia) de compreensão das leis menos explícitas da natureza (naturais e morais) por meio do estudo técnico, cuidadoso, metódico dos fenômenos espirituais e dos ensinamentos obtidos por meio deles.
 
Muitos indivíduos veem a religião com preconceito e, por estarem apegados à matéria, ainda que uma boa parte tenha predisposição para desapegar dela se receberem os incentivos adequados, não dão importância a ensinamentos morais, especialmente se pautados em Jesus Cristo e outros seres ligados às religiões tradicionais, que não estejam suportados por argumentos bastante racionais. 
 
Outras pessoas são muito apegadas a uma religião específica e têm dificuldades de serem atraídas por outra doutrina predominantemente religiosa. 
Para cumprir a tarefa dada por Jesus aos espíritas de difundir a Boa Nova, que é claramente lembrada em toda a obra de Kardec, sobretudo no Evangelho segundo o Espiritismo[7],é preciso desenvolver melhor as vertentes científica e filosófica do Espiritismo, buscando conversar com cada pessoa conforme a sua bagagem moral e intelectual. 
Com mais suporte científico e filosófico, torna-se mais fácil o trabalho nos centros espíritas, pois estarão mais bem subsidiados em estudos cuidadosos, aprofundados, que sigam os métodos definidos por Kardec e, quem sabe, até possam avançar neles, pois é preciso lembrar que, de lá para cá, se passaram mais ou menos 160 anos e o conhecimento progrediu enormemente.
 
Os espíritas não podem se prostrar como adoradores do codificador. Como tudo progride, o Espiritismo também deve progredir. Essa era a vontade do próprio Kardec, como ele deixa claro em diversas passagens. Seguem, então, algumas propostas para os seus desenvolvedores e difusores. 
É preciso falar mais sobre Espiritismo para quem não é espírita, utilizando, como propunha Kardec no início do Livro dos Médiuns[8], o discurso mais apropriado para cada tipo de destinatário. Pode ser mais difícil convencer um fanático religioso a mudar de religião do que a acreditar em fenômenos suportados pela ciência, assim como pode ser mais fácil convencer um religioso cristão com coração aberto e pouco conhecimento científico por meio de aspectos morais e da doutrina de Jesus, com base em argumentos racionais, do que por engenhosas teorias científicas, como a quântica. 
Os espíritas devem falar menos em “doutrina”, uma palavra que provavelmente fazia muito mais sentido na França à época de Kardec do que hoje no Brasil e mesmo em outros países. O termo “doutrina”, salvo em raros círculos, é pouco utilizado na Língua Portuguesa e mesmo na Língua Inglesa, e, ainda pior, costuma se associar a uma ideia de doutrinação, o que tende a “fechar” o destinatário da mensagem. 
 
Seria mais convincente que se falasse em Ciência Espírita, como o próprio Kardec não cansava de repetir e que não é nenhum exagero.
 
A má definição do que seria “ciência” tem gerado confusões nas últimas décadas. Os economistas, por exemplo, reconhecendo seus erros e dos seus colegas, têm dito que a Economia não deve ser tida por uma ciência, uma vez que não observa fatos naturais. 
 
Por usar uma definição muito estreita de ciência, vem-se excluindo os diversos sistemas de conhecimento do seu âmbito. A ciência não é apenas aquela dos experimentos físicos e químicos. Essa é uma noção limitada que foi difundida na sociedade humana ocidental a partir, por exemplo, de personagens de filmes, da literatura e até de quadrinhos, como o Professor Pardal. 
 
Como muitos estudos científicos desaguam em tecnologias, há também uma confusão de que toda ciência deve levar à construção de algo. São visões limitadas da ciência, e, se assim alguns quiserem entendê-la, isso não significa que todos os demais devem segui-los. 
Mesmo tal visão prevalecendo, não seria o fato de ter ou não o nome de ciência o que faria o Espiritismo, em sua essência, mais ou menos importante. No entanto, o efeito retórico de ser uma ciência ajuda a convencer muitas pessoas. 
 
A ciência foi criada para se distinguir do estudo leigo e do misticismo da Idade Média. Daí porque é difícil aceitar como científico um conhecimento sobre aquilo que é completamente desconhecido pela maioria dos homens, tido por místico, como no caso do Espiritismo.  
 
Ela busca criar um sistema composto por especialistas que usam métodos para chegar a teorias a serem testadas por eles mesmos e por outros especialistas, procurando sempre o progresso no conhecimento moral e intelectual. A ideia de que a ciência busca chegar a verdades é antiquada. Ela apenas propõe hipóteses, as testa, fica com elas ou descarta. Esse processo é contínuo. 
 
Allan Kardec utilizou o método de observação dos fatos espíritas, realizando experimentos em diversas cidades diferentes, de distintos países, na América e na Europa, seja pessoalmente, seja por correspondência com outros pesquisadores e médiuns. 
 
Os espíritas precisam retornar com esse tipo de estudo e difundi-lo pelo mundo com o uso da internet. Dever-se-ia criar uma rede de interação para trocas de informações sobre pesquisas a serem realizadas no máximo de países e definir alguns “atualizadores da codificação” que possam atualizar os ensinamentos dos séculos XIX e XX para as necessidades do mundo e da racionalidade do século XXI. 
 
Kardec viveu em um momento no qual o conhecimento humano era completamente diferente de hoje. O pensamento moderno reducionista, dicotômico e buscador de verdades predominava naquela época. Hoje já vige um pensamento chamado por muitos de pós-moderno, que é complexo, transgressor de dualidades e que sabe serem as verdades fugazes, se é que se deveria ainda falar na obtenção delas enquanto seres encarnados nesse estágio de evolução. 
 
Os espíritas deveriam perguntar aos bons espíritos, por meio de médiuns em dezenas de lugares, por exemplo: o que é a verdade? A Verdade, com inicial maiúscula, de que falam os espíritos é a mesma verdade de que falam os homens sobre os fatos? Ela é alcançável pelos homens nesse estágio? Como diversas ideias do Espiritismo são paradoxos, a exemplo de as pessoas nascerem com um programa, mas terem livre arbítrio, é preciso desenvolver um raciocínio complexo para ser um espírita no século XXI? O termo complexidade é utilizado pelos espíritos superiores como um tipo de pensamento mais evoluído? Ciência, filosofia e religião são aspectos dissociáveis? Como eles se interajudam? 
 
É possível se realizar centenas de novas perguntas aos espíritos com base no pensamento humano atual, realizando uma espécie de atualização do brilhante trabalho realizado pelo codificador e demais espíritas nos séculos XIX e XX. Parece ser chegada a hora de a Ciência Espírita tomar de vez espaço nos lares e nos corações de toda a humanidade. 
 
Para tanto, é importante um novo giro do Espiritismo e sua ampla difusão, o que poderia seria encabeçado, por exemplo, por Divaldo Franco, enquanto coordenador de um grupo de médiuns a serem estudados juntamente com os ensinamentos dos espíritos que se manifestam por meio deles, e por Haroldo Dutra Dias, enquanto coordenador de um grupo de pesquisadores científicos.
 
A difusão do Espiritismo é importante não quanto religião no seu sentido mais comum, mas por ser um conjunto de informações importantíssimas para elevar a qualidade da vibração dos seres humanos, para ligá-los no Bem, retirando-os da depressão, dando-lhes energia, impedindo suicídios etc. Como uma típica ciência, o Espiritismo informa e ajuda a solucionar problemas graves da vida humana. É uma poderosa ferramenta de conhecimento para a mudança moral e vibratória de que o mundo tanto carece. 
 
Obs.: alguns colegas questionaram o fato de essa ser uma opinião do autor, e não dos espíritos, que têm se focado muito mais nos aspectos morais do que nos científicos. O autor responde que diversas obras de Emmanuel, André Luiz e outros espíritos são muito científicas. O próprio Kardec, escolhido para codificar o Espiritismo, era predominantemente homem da ciência, ateu até os 50 anos e, assim, nada religioso. Repita-se que fortalecer o pilar científico não é deixar o moral de lado, pois eles se complementam, não brigam. Lembre-se que, segundo Kardec, em A Gênese[9] quando uma noção do Espiritismo contradisser a da ciência, deve-se ficar com esta última:
“55. Um último caráter da revelação espírita, a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, é que, apoiando-se em fatos, a doutrina tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Pela sua substância, alia-se à ciência que, sendo a exposição das leis da natureza, com relação a certa ordem de fatos, não pode ser contrária às leis de Deus, autor daquelas leis. As descobertas que a Ciência realiza, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas ideias que formaram de Deus.
O espiritismo, pois, estabelece como princípio absoluto somente o que se acha evidentemente demonstrado, ou o que ressalta logicamente da observação. Entendendo-se com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia, sem o que o espiritismo se suicidaria. Deixando de ser o que é, mentiria à sua origem e ao seu fim providencial. Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”.
Agradecimentos a Marcília Brito, Fábio Roque Araújo e Laíze Lantyer pelos comentários ao texto.

[1]http://jornalggn.com.br/noticia/espiritismo-sociedade-economia-e-politica-por-marcos-de-aguiar-villas-boas e http://jornalggn.com.br/noticia/a-fisica-quantica-e-as-evidencias-da-exi...
[9] http://www.febnet.org.br/wp-content/uploads/2012/07/A-genese_Guillon.pdf
http://jornalggn.com.br/noticia/a-ciencia-espirita-por-marcos-villas-boas

terça-feira, 28 de março de 2017

Mais armas aos cidadãos = mais crimes

Mais armas aos cidadãos = mais crimes

Este vídeo é dedicado a todos os que "armas aos cidadãos contra o Estado assassino!".

ATENÇÃO
O seguinte vídeo contém imagens que podem ferir a sensibilidade do espectador. 
Ficam avisados. Depois não venham com coisas do tipo "Epá, mas fez-me impressão, poderias ter avisado, não é?". Eu avisei. Se forem sensíveis não olhem. Ou olhem com uma mão na frente dos olhos.   


Este vídeo foi filmado pela polícia de Tulsa e mostra o momento em que uma rapariga de 21 anos foi atropelada e morta por um policia. Aconteceu depois dela abrir o fogo contra oficiais ao fim duma perseguição de alta velocidade.

Madison Sueann Dickson morreu em Tulsa, Oklahoma (EUA), depois que o oficial Jonathan Grafton a atingiu com o seu carro patrulha para impedir que disparasse contra a polícia. A Dickson era procurada pelas autoridades por causa de quatro incidentes relacionados com armas de fogo, sempre em Tulsa, durante a semana passada.

A polícia divulgou este vídeo na última Quinta-feira à tarde: é constituído por três vídeos que foram juntados. À primeira vista não fica claro o que a Dickson segura na mão direita até que o vídeo é abrandado e um círculo vermelho mostra a arma.

Quantos destes acidentes ocorreriam se as armas fossem dadas ao "povo"? Quantos polícias seriam mortos também? E os inocentes presos numa troca de tiros? Uma maior difusão de armas não traz benefício nenhum. Pelo contrário.

O caso Brasil

Olhamos para o caso do Brasil.
O País tem entre 16.800.000 e 17.600.000 armas de fogo na posse da população (não são contabilizadas aquelas da polícia ou do exército), das quais cerca de 9 milhões não registradas. Isso perfaz uma média de uma arma por cada 12 habitantes (dados arredondados) e coloca o Brasil na lista dos 40 Países com a mais alta quantidade de armas de fogo.

Segundo os apoiantes das "armas para todos", o País deveria ser um daqueles com menos crimes, porque os cidadãos podem defender-se (lembramos que os criminosos não costumam utilizar armas registradas e as armas ilegais no Brasil são cerca de 9 milhões).

Curiosamente, segundo Wikipedia, o Brasil está também na Top 40 dos Países com a mais alta taxa de homicídios intencionais. O que contradiz a equação "mais armas aos cidadãos = menos crimes". Na realidade, a equação é "mais armas aos cidadãos = mais crimes".

Top 40 dos Países com a mais alta taxa de homicídios intencionais.? Errado: Wikipedia utiliza dados de 2007. Vamos dar uma vista de olhos em análises mais recentes. Como relatado no Mapa da Violência 2016 de Julio Jacobo Waisel, o Brasil ocupa a 10ª posição global por taxa de homicídios por cada 100 mil habitantes.entre 100 Países.
E acrescenta o autor do estudo:
Podemos observar, na Tabela 10.1 [a publicada acima, ndt], que o Brasil, com sua taxa de 20,7 homicídios por arma de fogo por cada 100 mil habitantes, ocupa uma incômoda 10ª posição entre os 100 países analisados. Mais ainda, comparado com países tidos como civilizados, o Brasil apresenta taxa:
  • infinitamente superior à de muitos países que não registraram HAF [Homicídios por Armas de Fogo, ndt] no ano de referência, como Islândia, Japão, República da Coreia, Luxemburgo, Escócia, Inglaterra e Gales, etc.
  • 207 vezes maior que a de países como Polônia, Alemanha, Áustria, Espanha, Dinamarca, dentre outros, que registram 0,1 HAF por 100 mil
  • 103 vezes maior que a de Suécia, Noruega, França, Egito ou Cuba, dentre vários outros países com taxas em torno dos 0,2 HAF por 100 mil habitantes.
Caso haja dúvidas, eis a lista dos Países ordenados segundo homicídios e taxa de armas pro capita (dados de 2017: é melhor ampliar para poder ler):

Em azul os homicídios, em laranja as armas por cada 100 habitantes.

Aqui o Brasil ocupa a 8ª posição, mas o dado mais interessante acho ser outro: quanto maior forem as armas por cada 100 habitantes, tanto maior será o número de homicídios. Há só três significativas excepções: os EUA, que têm o maior número de armas mas ocupa "apenas" a 18ª posição quanto aos homicídios; a Sérvia, que tem o segundo maior número de armas (mas os recentes eventos históricos podem justificar isso) e um número de homicídios relativamente baixo; e a Suíça, a terceira nação do mundo por número de armas mas, na prática, sem homicídios (o que não me admira, conhecendo os Suiços...).

Quanto ao resto, é fácil observar como o gráfico reflecta a equação "mais armas aos cidadãos = mais crimes". E a coisa não pode surpreender: imaginem entrar com um fósforo ligado numa cave vazia: não há perigo. Imaginem agora entrar com o mesmo fósforo numa cave cheia de tanques de gasolina: acham que o perigo de acidentes será maior? Com as armas é o mesmo.

Ainda o estudo de Julio Jacobo Waisel: após a aprovação do Estatuto do Desarmamento, as mortes por armas de fogo atingiram o pique (2012: 42.416 mortos) dum crescimento começado em 1980. Mas a seguir foi anulada a tendência de crescimento anual dos homicídios de 7,2% e foi reduzido o número de assassinatos nos primeiros anos de implantação.

Com isso, segundo a pesquisa, 160.036 vidas foram poupadas no período de 2004 a 2012. Os jovens de 15 a 29 anos foram os principais beneficiários da mudança na legislação, com 113.071 vidas salvas.

Valeria a pena tamanha perda de vidas em nome da alegada possibilidade para defender-se (ver gráficos acima) ou duma ilusória "revolução" contra os poderes fortes (revolução que nunca acontece)? O Brasil fica entre os Países com mais armas pro capita: é por isso um País mais seguro daqueles onde há menos armas? É um País onde há mais liberdades civis, onde o poder está decididamente nas mãos dos cidadãos? Não parece.

O caso EUA

Ainda mais impressionante é o caso dos Estados Unidos. Mesmas perguntas: mais segurança, mais
direitos, mais poder aos cidadãos? Também aqui: não parece.

Então surge a pergunta: além de favorecer os produtores de armas (que agradecem), quais outras vantagens traz o facto de ter cidadãos armados?

Uma boa resposta surge da História, mais uma vez dos Estados Unidos. No século XIX, a maioria dos cidadãos do Velho Oeste estavam armados: por questões de defesa pessoal, para poder assassinar melhor os nativos, etc. Uma situação ideal para quem propõe mais armas para o povo.

Todavia, as grandes forças capitalistas sediadas sobretudo na Costa Leste conseguiram introduzir mudanças políticas, económicas e sociais que tornaram os EUA o que são hoje: um País onde ainda há um enorme número de armas na posse dos cidadãos mas onde o povo mal sabe o que se passa nos corredores do poder.

Hoje os jovens americanos são enviados para guerras em Países distantes a morrer por causas que não lhes pertencem, e nem é esta a primeira vez (houve o Vietname, a Coreia, etc.). Os media são controlados por um punhado de corporações que selecionam cuidadosamente o tipo de informação difundida. As ruas das metrópoles estão cheias de mortais substâncias estupefacientes cujas plantações são defendidas pelo governo em Países estrangeiros (Colômbia, Afeganistão, etc.). É possível organizar atentados, até espantosos (JFK, 9/11), sem que nunca sejam individuados os verdadeiros mandantes ou esclarecidas as derradeiras motivações. E tudo gravita em volta não do bem estar do indivíduo ou das comunidades mas apenas do dinheiro.

Mas não deveria ser assim, pois os norte-americanos têm armas, e muitas: são os cidadãos com mais armas no planeta. Mas nunca houve uma revolta popular nos EUA, nunca os cidadãos pegaram nas armas contra as más decisões do poder político ou económico. Até a única guerra civil do País (a Guerra de Secessão) foi "encomendada". Os norte-americanos até engoliram a pior crise económica (a Grande Depressão) sem levantar um só dedo, apesar de terem sido claras já na altura as reais causas do desastre (bancos). E o mesmo repetiu-se na mais recente crise de 2007.

A chave não são as armas: o que conta é controlar o cérebro de quem as empunha. É possível estar entre os cidadãos mais bem armados do planeta e, mesmo assim, ser conduzidos tal como uma criança. Não é uma teoria, são dados e factos.

As armas apenas dão uma ilusória sensação de potência se não forem acompanhadas pela maior arma de todas: o conhecimento.


Ipse dixit.
http://informacaoincorrecta.blogspot.com.br/2017/03/mais-armas-aos-cidadaos-mais-crimes.html

terça-feira, 21 de março de 2017

Edu Guimarães levará a jato o Moro para os EUA?, por Fábio O. Ribeiro

Eduardo Guimarães levará a jato o bebê de Rosemary para os EUA?
por Fábio de Oliveira Ribeiro
A única coisa que difere a civilização da barbárie é o uso da coerção segundo padrões legais previamente definidos e respeitados pelos agentes públicos encarregados de distribuir justiça. O uso da força, por mais que seja isto sedutor ou necessário, não se justifica quando o agente público competente para praticar o ato ignora, despreza ou excede os limites legais impostos ao uso da coerção.

No Brasil, a condução coercitiva só se justifica quando a testemunha ou o investigado se recusa a atender ordem válida para comparecer perante a autoridade. Não foi isto o que ocorreu no caso do blogueiro Eduardo Guimarães. Ele foi coagido a comparecer PF sem ter se recusado a atender uma prévia intimação. Portanto, o abuso de que ele foi vítima é evidente.
A justiça não pode ser distribuída por juiz que é inimigo da parte. A previsão legal nesse sentido é expressa e não comporta exceção. Sérgio Moro está processando criminalmente o blogueiro Eduardo Guimarães, portanto, ele não poderia proferir uma ordem contra ele num outro processo. Todavia, o juiz da Lava Jato resolveu esquecer sua obrigação legal de cumprir e fazer cumprir a norma que o obriga a se afastar do processo em que o blogueiro foi coercitivamente conduzido à PF.
Os policiais encarregados de conduzir coercitivamente o blogueiro poderiam ter se recusado a cumprir a ordem ilegal proferida por Sérgio Moro. Mas eles não opuseram qualquer objeção à prática do ato. Muito pelo contrário, eles cumpriram a ordem como se ela fosse legal. Apesar de reprovável, a conduta deles dificilmente resultará em qualquer punição administrativa.  
É evidente que, tendo sido vítima de uma coação duplamente ilegal, o blogueiro Eduardo Guimarães adquiriu o direito de reclamar no CNJ e de pedir indenização por dano moral. De fato, ele poderia até representar contra Sérgio Moro e contra os policiais. Em tese eles cometeram o crime de abuso de autoridade http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L4898.htm.
O uso da força sem qualquer limite ou medo de punição é uma característica do terrorismo político. Ao punir ilegalmente quem considera seu inimigo, o terrorista tem um propósito: educar pelo medo. Ele não respeita qualquer direito do cidadão, porque a sujeição incondicional é a única coisa que ele deseja obter. Sujeição incondicional: é exatamente isto que Sérgio Moro deseja do blogueiro Eduardo Guimarães ao proferir uma decisão ilegal num processo em que ele estava impedido de atuar.
Qualquer que seja a conduta do blogueiro, creio que o episódio é emblemático. Ele demonstra que Sérgio Moro e a PF já não operam estritamente dentro da legalidade. Já estamos, portanto, vivendo sob uma barbárie semi-institucionalizada. O resultado do desvio pelo qual a Lava Jato procede com apoio do TRF, STJ, STF e CNJ é evidente: a operação já não pode mais resgatar qualquer moralidade ou normalidade na civilização brasileira, pois ela mesma está transformando os agentes públicos em terroristas políticos incapazes de respeitar a liberdade de imprensa.
O bebê de Rosemary nasceu nos cinemas em 1969. Mas tudo indica que ele cresceu no Brasil e se tornou juiz federal. Ficaremos felizes e mais livres quando ele finalmente for levado a jato para morar com sua esposa nos EUA.
http://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/edu-guimaraes-levara-a-jato-o-moro-para-os-eua-por-fabio-o-ribeiro

domingo, 12 de março de 2017

Temer é recebido na Paraíba aos gritos de “Olê, olê, olê, olá, Lulá, Lulá”

A canoa está virando. O fracasso econômico do golpe já começou a despertar o que Michel Temer classificou como “meia dúzia que protestam”.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Dória está vendendo São Paulo, por Jornalistas Livres

Dória está vendendo São Paulo
Um vídeo publicado no site da prefeitura de São Paulo anuncia: “com orgulho, o maior programa de privatização da história” da cidade. Criado para atrair investidores estrangeiros e totalmente narrado em inglês, o vídeo pretende mostrar São Paulo como uma cidade moderna - se servindo de uma imagem da ciclovia da Av. Paulista -, cosmopolita e acolhedora a estrangeiros - apesar de mostrar nesse trecho apenas uma mulher supostamente libanesa, um homem asiático e um caucasiano, esquecendo-se dos imigrantes e refugiados do Oriente Médio, África e América Latina e Central -, onde estão 50% dos bilionários do Brasil, e oferece de bandeja uma gama de estruturas públicas municipais para livre uso da iniciativa privada.
O título do vídeo é “Road Show São Paulo”. O termo Road Show é comum em vídeos de empresas que estão abrindo suas ações no mercado, numa manobra conhecida como IPO (Initial Public Offering). Uma busca por “IPO RoadShow” no youtube traz diversos resultados do gênero.
Por volta do meio dia de hoje (14/Fev), Dória postou na sua página do Facebook um vídeo onde ele conta que acabou de sair de uma reunião com dirigentes da Investment Corporation of Dubai e da Dubai Chamber. Segundo ele “os investidores internacionais estão muito otimistas”. As postagens da página nos últimos dias têm mostrado o prefeito com investidores em eventos em Abu Dhabi. Segundo consta na reportagem oficial da prefeitura, "O evento marcou o lançamento internacional do pacote de desestatização" e nele, Dória também falou sobre o projeto Cidade Linda.
Eis o que o vídeo coloca à venda:
A narração do vídeo informa que a cidade está aberta para negócios envolvendo o Autódromo de Interlagos, o Complexo do Anhembi incluindo o sambódromo e o Estádio do Pacaembu. Disponibiliza para gerência e operação e uso publicitário para o Parque do Ibirapuera, o Mercado Municipal, os terminais de ônibus e trem da cidade e até os cemitérios e crematórios municipais. Tudo com imagens grandiosas e detalhes em relação à frequência de público nesses espaços. São anunciados para venda também propriedades da prefeitura em lugares estratégicos, o que é ilustrado com imagens aéreas do centro da cidade.
Um absurdo particular está na oferta de negócios envolvendo o Bilhete Único. O letreiro do vídeo diz: “Data Base and Cross Selling opportunities”, em português “Oportunidades com banco de dados e venda cruzada.”
Em relação ao banco de dados, a prefeitura está dizendo abertamente que vai fornecer os dados dos cidadãos que usam o Bilhete Único para empresas. São dados do uso do transporte público, que informam por onde cada cidadão circula e em que horário, que serão usados para fins de marketing e propaganda.
A oportunidade de venda cruzada, por sua vez, é também problemática. A estratégia consiste em associar a venda de um produto à de outro - comum em operadoras de internet que tentam a todo custo empurrar ao consumidor os seus “combos” com TV a cabo e telefone fixo. É isto que a prefeitura está tentando fazer com o bilhete único: entregá-lo à iniciativa privada para que se possa condicionar a venda de créditos ou do bilhete mensal à compra de outros produtos. Podemos imaginar, por exemplo, uma promoção em que se compre de maneira combinada créditos de telefone celular e do transporte, favorecendo a operadora de celular. Além de tudo, a estratégia é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor (artigo 39, I).
A invasão de privacidade e o uso pelo mercado de um serviço público essencial com o transporte são de uma crueldade infelizmente imaginável para um prefeito como Dória, que não se diz político mas gestor. Ele só esqueceu de dizer na campanha que era em favor das empresas que ele faria sua gestão, e não da população.
Prova disso é que, ao final do vídeo, o narrador afirma que há “legal certainty”, ou seja, asseguramento jurídico para os investidores dentro deste programa de privatização. Isso pode significar que se os investimentos que forem feitos não tiverem o lucro projetado, a prefeitura estaria disposta a bancar. com o dinheiro público dos impostos, o retorno, e ainda que as instituições legais estariam ao lado dos empreendimentos em detrimento das normas que regem a economia brasileira. Esta garantia da prefeitura não está na lei, mas o programa de privatização anuncia pretender incluí-lo.
Sem discutir com a população, sem permissão da câmara municipal e sem base legal para o seu “asseguramento jurídico”, Dória está colocando São Paulo na xepa da feira.
Assista ao vídeo:

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Até sempre. dona Marisa!, por Maria Inês Nassif

Até sempre. dona Marisa!, por Maria Inês Nassif
Não sei se um coração chora, mas a tristeza hoje é tanta que se torna lágrima, uma chuva de lágrimas, uma tempestade. É uma ventania da tristeza que atravessa o país, no momento em que Marisa Letícia, morta, ainda não conseguiu morrer de fato. O seu cérebro cansado foi antes, cheio de dor, de sangue, de mágoas. Calou-a. Não fosse o cansaço, talvez ainda ela pudesse dar um sorriso, dizer um palavrão, contar uma história, proteger a prole; e ameaçar inimigos com a promessa de cuidar do marido para que ele, forte por seu cuidado, os enfrente de peito aberto. O último sopro de vida de Marisa Letícia se foi. Os aparelhos ainda seguram os tique-taques do coração, por pouco tempo. Mas o tique-taque não é mais a vida de Marisa Letícia.
Em dezembro, Marisa, num jantar entre amigos, fez um brinde realista: não a dias melhores, mas à força que deveríamos ter para enfrentar dias ainda mais negros. “Não serão dias fáceis”.  Minutos adiante, comentando a perseguição ao ex-presidente Lula, disse que os perseguidores não iriam conseguir matá-lo. Ela não deixaria. “Eu vou cuidar dele e ele vai morrer velhinho”. Uma profissão de amor e fé no marido.
Não serão dias fáceis os que nos esperam e Marisa Letícia não estará ao lado de seu companheiro. Mas terá deixado o seu recado: por piores que os dias sejam sem a sua presença, Lula deverá ter forças para lutar e vencer seus adversários. Ela cuidará disso, de onde estiver. E, mais tarde, conseguirá, de lá, brindar a nós, que ficamos para trás, e a dias melhores. Tintim, dona Marisa. A dias mais serenos, mais felizes e mais justos, que um dia virão. E que teríamos gostado de compartilhar com você.
http://jornalggn.com.br/noticia/ate-sempre-dona-marisa-por-maria-ines-nassif

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Quem matou Dona Marisa

Leandro Fortes: Todos sabemos os nomes, cargos, redações e togas de cada um dos responsáveis pela morte de Dona Marisa

NÃO HÁ DE SER INUTILMENTE
Por Leandro Fortes
A morte de Dona Marisa Letícia é o triunfo físico da narrativa de ódio reinaugurada pela direita brasileira, a partir da vitória eleitoral de Dilma Rousseff, em 2014, contra as forças reacionárias capitaneadas pela candidatura de Aécio Neves, do PSDB.
Em sua insana odisseia pela retomada do poder, ainda quando o TSE contabilizava os últimos votos das eleições presidenciais, Aécio e sua turma de mascarados se agregaram, não sem uma sinalização evidente, aos primeiros movimentos da Operação Lava Jato e com ela partiram, sob os auspícios do juiz Sergio Moro, para a guerra de tudo ou nada que se seguiu.
Foi esse conjunto de circunstâncias, tocado pela moenda de antipetismo e ódio de classe azeitada diuturnamente pela mídia, que minou a saúde de Dona Marisa, não sem antes submetê-la ao tormento da perseguição, do constrangimento, da humilhação pública, da invasão cruel e desumana de sua privacidade.
A perseguição ignóbil ao marido, Luiz Inácio Lula da Silva, aliada à permanente divulgação de boatos sobre os filhos, certamente contribuíram para que Dona Letícia, a discreta primeira-dama nascida na luta e na construção dos Partidos dos Trabalhadores, tivesse a saúde atingida.
Para atingir Lula, a quem não tiveram coragem de prender, o esgoto da mídia e seus serviçais da política envenenaram a nação com ódio, rancor e ressentimento, nem que para isso fosse preciso atingir a vida de toda a família do ex-presidente.
Nem que para isso fosse preciso levar à morte uma mulher digna, honesta e dedicada aos seus e ao País.
Não sem antes vazar as imagens de sua tomografia cerebral, como um troféu grotesco de certo jornalismo abjeto oferecido às hienas que dele se alimentam.
Todos sabemos os nomes, os cargos, as redações e as togas de cada um dos responsáveis pela morte de Dona Marisa.
Na hora certa, daremos o troco.
PS do Viomundo: Abaixo, frase de uma conversa pessoal entre mãe e filho, sem qualquer valor para a investigação, que foi vazada por “autoridades” com o único intuito de causar pressão psicológica e política em uma família. Nem a máfia faria melhor.
Dona Marisa
"-Devia enfiar essas panelas no c..."
Fábio Luiz 'Lulinha'
-... de bater panelas, deixa elas"