“Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data”
Luís Fernando Veríssimo

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A República estilhaçada e a falência do STF

por Aldo Fornazieri
Uma república se sustenta sobre a funcionalidade do tripé dos três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - conforme o estabelecido na Constituição. Nas últimas semanas, a república brasileira veio abaixo com o desmoronamento do último poder que ainda mal subsistia: o Judiciário. Fruto de um golpe, o Executivo, sem legitimidade não podia ser considerado um poder republicano desde a posse de Temer. Além da ilegitimidade originária, esse governo era e é inaceitável pelo seu caráter criminal. Se alguém ainda duvidava de que se tratava de uma quadrilha, as delações dos executivos da Odebrecht acabam de desvelar qualquer dúvida. A principal missão desse governo é a de investir com violência contra os direitos sociais e contra o espírito e a letra da Constituição de 1988.
O Congresso, na sua dupla composição - Câmara e Senado - foi o principal fautor do golpe. Por serem casas comandadas por pessoas acusadas de cometer vários crimes, sendo que um de seus dirigentes, Eduardo Cunha, está preso e com denúncias graves pesando sobre os ombros de vários membros, o Congresso não tem respeito e legitimidade junto à sociedade. As delações recentes mostram que a soberania da representação popular foi vendida, privatizada, vilipendiada, conspurcada, ao sabor dos interesses privados de empreiteiras e de outros grupos que compram leis, favores e benefícios. Não há como considerar que esse Congresso seja uma instituição republicana, pois ele é a face perversa da destruição da res publica.
Por fim, ruiu o Judiciário na sua figura maior, o Supremo Tribunal Federal. Esta casa não tem uma história honrosa da qual possa se orgulhar. Deu cobertura ao golpe militar de 1964, validou medidas inconstitucionais do governo Collor e se acovardou perante a falta de amparo constitucional ao impeachment da presidente Dilma. Ademais, o poder judiciário, pela sua incompetência, pela sua morosidade e por aplicar uma Justiça enviesada contra os pobres, contra os negros e contras as mulheres é portador de um enorme déficit de republicanismo.
A desmoralização do STF
No caso Renan Calheiros, o STF foi desmoralizado e se desmoralizou. Demonstrou que não é um tribunal capaz de exercer o controle constitucional e que está a serviço dos interesses de um governo falido, que não governa o país. Lula tinha toda a  razão quando afirmou que estamos diante de um "Supremo acovardado". Aceitou todo tipo de pressão política e terminou promovendo a mais esdrúxula das decisões já promovidas pelo STF. Ora, se o Tribunal pôde tirar Cunha da presidência da Câmara podia tirar também Renan da presidência do Senado. E se Renan pode ser presidente do Senado não há nenhuma justificativa razoável e lógica para que não possa ficar na linha de sucessão da presidência da República. Presidência da República e presidência do Senado (e do Congresso) são poderes equivalentes e equipotentes nos termos da doutrina republicana, embora com funções diferentes. Se Renan não pode ficar na linha de sucessão da presidência da República não pode ser também presidente do Senado.
Confrontado pela rebelião de Renan, o STF se recolheu desmoralizado. O STF não está agindo como colegiado. São nove homens, duas mulheres e nenhum destino, nenhuma dignidade, nenhum espírito de Corte Constitucional, nenhuma sobriedade, nenhuma cautela, nenhuma prudência. Os juízes, Gilmar Mendes à frente, são juízes apenas pelo poder formal que lhes é conferido, mas não são juízes nas suas condutas e nos seus conteúdos. Na prática, como juízes, são porta-vozes de interesses políticos, e como militantes políticos, julgam extrapolando o amparo da Constituição.
Os juízes de um tribunal, que é o guardião da Constituição democrática e republicana de um país, precisam ter condutas e decisões cuidadosas e cautelosas. Os juízes e o colegiado devem, por terem o poder de decisões finais e irrecorríveis, conduzir-se pelo recato, pelas auto-restrições, pelo autocontrole, pelo comedimento, tanto nas suas relações pessoais quanto no exercício de suas funções. Mas não é isto o que se vê. Dominados pela vaidade e pela frivolidade perigosa de suas incontinências verbais, são agentes da desmoralização do próprio STF. Os juízes devem saber que não são deuses e que não estão acima do debate e do escrutínio da opinião pública. Deveriam saber que não podem negociar decisões judiciais com Temer, com senadores ou com quem quer que seja.
Qual a saída?
A pesquisa do Datafolha, publicada no final de semana, é devastadora para o governo Temer. Os seus dias devem ser abreviados pela renúncia. Se não renunciar deve ser derrubado pelas mobilizações de rua. A única saída que esta crise comporta são as eleições gerais antecipadas. Nenhum governo que emergir desse processo que tem o golpe como elemento gerador terá legitimidade e capacidade para tirar o país da crise. Nenhum governo que não nascer da soberania do voto popular tem a legitimidade para pedir sacrifícios a quem quer que seja.  Não se pode reduzir direitos, definir tetos, agredir o pacto social da Constituição de 1988. Os democratas e progressistas tem o dever e a responsabilidade de levar bandeira das eleições gerais para as ruas imediatamente. É incompreensível que o PT e as esquerdas não tenham desfraldado esta bandeira desde o afastamento de Dilma.
O PT e as esquerdas precisam dizer claramente qual a saída que defendem em face da derrocada das instituições republicanas. Partes das bancadas do PT não podem continuar se comportando como a quinta coluna do governo golpista, como se comportaram na eleição de Rodrigo Maia, no episódio de Renan Calheiros e na falta de combate à PEC do teto. 
O fato é que setores do PT e parte da intelectualidade progressista estão com uma estratégia equivocada. Após a consolidação do golpe "branquearam" a luta contra o governo e transformaram o judiciário e a Lava Jato em inimigos principais, num jogo conveniente não só para o governo Temer, mas até mesmo para o PSDB. O poder judiciário e a Lava Jato precisa ser criticados e contidos nos seus excessos, mas não são um poder disputável. Somente o poder político é um poder disputável pelas forças políticas e sociais.
O colapso do Executivo, do Legislativo e do Judiciário produziu uma agenda democrática e progressista unificadora: eleições gerais já; não à PEC do Teto e não à reforma da previdência. Não que o ajuste fiscal e a reforma previdenciária não sejam necessários. Mas não estes que estão aí, que jogam o peso da crise nos ombros dos mais pobres. As reformas que estão aí são impositivas e antidemocráticas. Não há o que negociar. As estruturas de mediação democráticas e republicanas foram rompidas. Elas só podem ser reconstituídas pelo processo social, pela mobilização popular nas ruas e pelas urnas.
Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política. 
http://jornalggn.com.br/noticia/a-republica-estilhacada-e-a-falencia-do-stf-por-aldo-fornazieri

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Verdades e mentiras sobre John Lennon

Verdades e MENTIRAS!!!
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John Lennon é visto por muitos como um rebelde, um filósofo, quase um santo, alguém que inspira muita gente. Mas o homem por trás da lenda é bem diferente. Conheça Lennon e saiba por que ele não deveria servir de modelo para ninguém:
8 – Abuso doméstico
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Não há o que discutir, o homem que simboliza paz e amor batia na esposa. John Lennon confessou e está documentado até os tempos de Liverpool, ele batia na esposa Cynthia e Yoko Ono. Como todo homem que bate na mulher, ele provavelmente deve ter brutalizado outras mulheres.
7 – Abusava emocionalmente de seu filho
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Sua maior vítima foi sem dúvida Julian, resultado de uma gravidez indesejada que arrastou John para uma vida e responsabilidade para as quais ele não estava preparado. Tanto Julian quanto sua mãe Cynthia afirmaram em várias ocasiões que John era alternadamente ausente, indiferente, abusava de drogas, e em geral uma pessoa desagradável de ter por perto durante a primeira infância de Julian. Depois do divórcio de Cynthia, John desapareceu da vida de Julian por um tempo. Depois que voltaram a ter contato, John abusou emocionalmente do menino, repreendendo-o e gritando com ele até levá-lo às lágrimas. Uma vez Julian riu e John gritou “Eu odeio a maneira que você ri!”. Julian ainda não era adolescente na época. Na declaração que talvez seja a mais triste sobre John, Julian disse mais tarde que Paul McCartney era muito mais um pai para ele que seu pai verdadeiro.
6 – Mentiroso patológico
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Ele simplesmente inventou muita coisa sobre a própria vida, e simplesmente por egomania, tentando parecer melhor do que era. Todo mundo faz um pouco disso, mas John Lennon chegou a extremos. Disse que era da classe trabalhadora de Liverpool, quando na verdade foi criado em um lar de classe média, e durante os primeiros anos de seu sucesso ele negava ser casado. Ele alegava ter se apaixonado à primeira vista por Yoko Ono em um show de arte, quando na verdade ela o seguiu por muito tempo até que ele cedeu aos avanços dela. Ele alegou ter perdido o interesse nos Beatles devido às inclinações de Paul à música pop, seu papel dominante no grupo e o desejo de fazer música de vanguarda fora do grupo, quando na verdade ele praticamente abandonou a banda nos dois últimos anos por causa de seu vício em heroína. Todos comportamentos embaraçosos, mas que a maioria dos artistas tinham nos 60 e 70.
5 – Separou os Beatles
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Diferente da lenda que diz que a banda se separou espontaneamente, ou que foi Paul quem a dividiu, mas aparentemente foi John a gota d’água. A banda não ia bem, e John anunciou que estava deixando a banda em uma reunião que era para ser um encontro de rotina. A saída de John jogou um balde de água fria sobre o grupo, e em um ano o obituário foi escrito.
4 – Ignorante em política
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John nunca fez nada de nota nesta área, exceto posar para fotos e dar declarações, sendo considerado pelos radicais que cultivava um poser ignorante, e as poucas coisas que fez, que era publicidade e dinheiro para o Black Panthers, um grupo radical e violento, não é algo para se orgulhar.
3 – Não tinha talento
Talvez este seja o ponto mais subjetivo da lista, afinal os fãs não vão concordar que ele não tinha talento. Mas dá para considerar que ele tinha pouco talento. Como guitarrista era apenas mediano, preso apenas aos ritmos mais simples, e sua habilidade com o piano não era muito melhor. Sobre as letras das músicas, ele de fato escreveu algumas, mas muita gente acha que conforme o tempo passa, suas palavras vão ficando mais vazias e ultrapassadas. O sucesso delas deve-se mais ao excelente trabalho de George Martin e dos outros Beatles que ao talento de John Lennon.
Olhando para a herança dos Beatles, pode-se argumentar que Paul MacCartney e George Harrison tinham mais talento que John para escrever músicas. John estava se afastando e praticamente não tem nada dele no álbum Sgt. Pepper, e no filme Let it be, vê-se muito mais um Paul tentando motivar um John que claramente não queria estar ali. Quanto à carreira solo de John, você consegue lembrar o nome de alguma música de “Sometime in New York City”?
2 – Sem personalidade
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Há quem considere John Lennon um conformista, e não um livre pensador seguindo seu próprio caminho. Ele estava tentando se enquadrar em grupos o tempo todo. Quando o visual popular era o teddy-boy, lá estava ele de jaqueta de couro e topete. Depois era o corte pop bonitinho. Depois o visual hippie. Depois o hipster furioso vanguardista. Nunca terminava. Tudo que ele fazia, das declarações políticas à roupa que usava, era uma tentativa de se enquadrar em alguma contra-cultura ou sub-cultura que já existia.
1 – Hipocrisia
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Este ponto talvez seja o mais difícil de falar sobre Lennon, principalmente por que seu assassino havia dito que este era o principal motivo por tê-lo matado: John Lennon era o exemplo vivo do ditado “faça como eu digo, não faça o que eu faço”. Tudo que é preciso é ver as letras de suas canções. O cara que cantava “imagine no possessions” (“imagine não existir posses”) vivia uma vida de milionário em um hotel elegante em Nova Iorque. O cara que cantava “imagine no religion” (“imagine não existir religiões”) era obcecado por todas as modas New Age que apareciam, incluindo meditação Hindu, I-Ching e todo tipo de astrologia. O homem que cantou “all you need is love” (“tudo que você precisa é amor”) era amargo, violento e abusou da família e amigos. O homem que se vangloriava de não ter “nada pelo qual matar ou morrer” ajudava a financiar e dava publicidade a grupos radicais que advogavam o uso da violência. Praticamente tudo que os fãs personificam no ícone John Lennon são ideais que ele parece não ter abraçado.

Daqui https://www.facebook.com/luizhenrique.demelobarreto/posts/668156213358874

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Não é mais uma crise, é uma tragédia

Quem viveu mais de meio século, como eu, deve se lembrar de como foram os governos Sarney, Collor, Itamar e FHC.

Os mais jovens, felizmente, se recordam apenas do Brasil sob a liderança dos trabalhistas, Lula e Dilma.

Não têm, portanto, a menor noção do que era o país antes, do número de miseráveis que habitava esta terra, do tamanho da desesperança que havia nela.

Os governos Lula e Dilma, hoje fica mais claro, foram uma exceção na história do Brasil, porque deram voz e vez aos excluídos pelo cruel pré-capitalismo nativo.


Deposta a presidenta, eliminados os trabalhistas, findo o sonho de se adotar por estas bandas uma social-democracia com traços civilizatórios mínimos, o triste passado retorna com todo o seu peso, toda a sua violência e toda a sua crueldade.

Em poucos meses, o governo golpista conseguiu a proeza de ser pior que os piores momentos de Sarney, Collor e FHC, em todos os sentidos.

O desempenho da economia é cada vez mais catastrófico.

Os escândalos na cúpula governamental se sucedem com uma rapidez que nem uma obra de ficção poderia registrar.

As instituições se esfarelam de maneira nunca antes vista.

Se antes a crise era política e econômica, hoje ela se disseminou tão amplamente que atinge a todos os setores do país.

O Brasil vive, não uma crise, mas uma convulsão, um desastre, uma tragédia.

O Brasil está perto de um colapso.

E, incrível, parece que os semeadores do caos não se importam com isso.

(Carlos Motta)

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Miruna relata em livro processo vivido por Genoino com 'mensalão'

Segundo filha de ex-presidente do PT, ele "está angustiado com tudo o que está acontecendo, e, apesar de não estar na vida política pública, está sempre pensando sobre política"

por Eduardo Maretti

São Paulo – O ex-presidente do PT José Genoino está “tranquilo dentro do possível”, com o cenário político brasileiro. “Está angustiado com tudo o que está acontecendo, mas está bem de saúde”, conta Miruna Kayano Genoino, filha do ex-deputado. “Meu pai vive política o tempo inteiro. Mas tem conversado sobre política só com amigos. Não está fazendo nada partidário ou institucional. Apesar de não estar na vida política pública, está sempre pensando sobre política.”
Miruna está fazendo uma campanha para arrecadar fundos com os quais pretende lançar, em março, o livro Felicidade Fechada, pelo qual conta o processo vivido por Genoino e sua família desde 2005, quando ocorreram as primeiras denúncias relacionadas ao chamado “mensalão”. A campanha tem como meta arrecadar R$ 87 mil – até o final da tarde desta sexta-feira (4), as doações chegavam R$ 64 mil, pelo site Catarse. 

A obra é dividida em duas partes. Uma reunindo relatos escritos por Miruna durante o período, especialmente o processo de julgamento, condenação e prisão e, na segunda, as cartas que enviou ao pai. A intenção é "recontar a história que estava aparecendo nas manchetes de um jeito que a gente sabia que não era verdade".
De acordo com Miruna, o momento mais difícil em todo o processo se deu quando Genoino foi levado para a Papuda, em Brasília. “Primeiro porque eu não estava em Brasília. A gente não chegou a se despedir. Eu e ele ficamos dois meses sem nenhuma comunicação direta. Não tinha como vê-lo, porque tenho meu trabalho em São Paulo e as visitas eram quarta-feira. Então fiquei impossibilitada de ir”, conta ela, que é educadora.
Depois da etapa mais tensa e angustiante, a família começou a ficar mais tranquila quando ele voltou a São Paulo, em maio de 2015, após o Supremo Tribunal Federal ter decidido extinguir sua pena por corrupção ativa na Ação Penal 470, em decisão unânime, a partir do indulto natalino de dezembro de 2014.
O período em torno do indulto não deixou de ser tenso, lembra Miruna. O STF e seu então presidente Joaquim Barbosa haviam negado, até então, vários recursos que a defesa de Genoino havia tentado, como o indeferimento, por Barbosa, do pedido para que ele cumprisse a pena em regime semiaberto em São Paulo, onde mora. Barbosa presidiu STF e foi o relator da AP 470, em que pediu a condenação de José Genoino sem nenhuma prova ou evidência de que tenha cometido algum crime.
O caso do mensalão foi um primeiro balão de ensaio a empregar a condenação pela imprensa, de modo a induzir os integrantes do Judiciário a votar não necessariamente de acordo com os autos – e provas de culpa –, mas de acordo com as pressões da opinião pública diante da espetacularização do processo. O método tem sido adotado à exaustão pelos da Lava Jato, e tem sido a base de sustentação da operação desde seu início.
Na época do indulto, a imprensa enfatizou o tempo todo que a medida deputado havia sido determinada pela presidenta Dilma Rousseff como se fora um ato para beneficiá-lo, quando na realidade é uma ação adotada todos os anos e beneficia inúmeros detentos.
Assista à mensagem em que Miruna explica o projeto do livro
http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/11/miruna-relata-em-livro-versao-sobre-processo-vivido-por-genoino-3166.html

sábado, 5 de novembro de 2016

Mariana: Marcha em defesa dos que não têm para onde ir

O rompimento da barragem em Mariana (MG), que completa um ano neste sábado (5), mobilizou diversos segmentos da sociedade que até hoje cobram providências da Samarco, operadora da barragem, da Vale e BHP Billinton, sócias da empresa, bem como de governos e instituições no que toca à definição de responsabilidades.
Uma das entidades mais atuantes nessas cobranças tem sido o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), entidade social sem fins lucrativos criada em 1989 e que se encontra presente em 17 estados, assessorando comunidades atingidas por falha dessas estruturas em todas as regiões do país.  
Letícia Oliveira, coordenadora do MAB em Minas, e residente em Mariana desde o dia seguinte ao rompimento da barragem, conversou com a Sputnik e conta as ações que estão sendo realizadas, como a marcha que saiu de Regência (ES) em 30 de outubro e percorreu oito municípios no estado e em Minas Gerais até chegar a Mariana, onde realiza um encontro neste sábado para debater o acidente que atingiu as comunidades. Participam da marcha representantes das famílias e aldeias atingidas, setores da Igreja Católica, movimento de trabalhadores e estudantes. 
"O MAB surgiu para dar apoio a centenas de comunidades que vêm sofrendo com as consequências da construção de barragens pelo Brasil desde a década de 70, em boa parte devido à formação de grandes reservatórios decorrentes da construção de hidrelétricas, principalmente nas regiões Sudeste, Nordeste e Norte. São cerca de 1 milhão de pessoas que vivem nos entornos desses empreendimentos e que podem ser diretamente atingidas em caso de acidente."
Letícia explica que há três tipos de barragens: a dos reservatórios das hidrelétricas, as de abastecimento e irrigação, principalmente no seminário nordestino, e as de refugo de minério, como é o caso da de Mariana. No caso específico do acidente em Minas, a coordenadora do MAB diz que a entidade está realizando diversos debates pelo país sobre as consequências e os impactos desses acidentes e reivindicando direitos das populações atingidas que normalmente costumam ser violados.
Indagada sobre as primeiras impressões que teve ao ver a devastação em Bento Rodrigues, o primeiro distrito em Minas a receber o impacto da tsunami de lama proveniente da barragem de Fundão, Letícia é concisa:
"Não sobrou nada. Em uma quadra, apenas as ruínas de algumas casas. Bento Rodrigues não tem água, luz, houve muito saque nos dias seguintes ao desastre. O município sumiu do mapa. Em Paracatu de Baixo, vizinho a Bento, só sobraram 30 casas."
Não só o MAB vem acompanhando os trabalhos de assistência. A advogada Raphaela Lopes, da ONG Justiça Global, também vem monitorando a situação dos atingidos pelo desastre ambiental, cobrando ações de empresas e do governo. Segundo Raphaela, a tragédia em Mariana é reflexo de um problema estrutural da mineração no Brasil e no mundo. 
"A gente olha para o rompimento como o extremo das violações que a mineração causa todos os dias em vários territórios no Brasil e no mundo inteiro. Somos uma das organizações que fundou a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale, ou seja acompanhamos há algum tempo as violações cometidas pela empresa." 
Nos casos como o de Mariana e de mineração em geral, fica bem claro, segundo ela, o interesse do Estado nesses empreendimentos. Para Raphaela, o Estado muitas vezes investe recursos nesses empreendimentos de mineração, é um grande interessado no sucesso do empreendimento. "Isso faz com que ele acabe sendo um pouco negligente em relação ao apoio às vitimas e à fiscalização. É algo que a gente vem apontando com preocupação no cenário da mineração como um todo." Segundo a advogada da ONG Justiça Global, no caso de Mariana, se viu um esforço do Estado de deixar isso passar.  
"A grande manifestação disso é o acordo entre a União, os governos de Minas Gerais e de Espírito Santo e as empresas Samarco, Vale e BHP. Um acordo imoral, pois foi elaborado sem participação dos atingidos, as empresas não assumem responsabilidade pelo acontecido, somente se comprometem a reparar os atingidos. A empresa faz o cadastro dos atingidos. A fundação, criada pelas empresas, decide quem é classificado como atingido e quem não. É como pedir ao lobo para cuidar do galinheiro." 
JB

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Hillary Clinton e o brutal assassinato de Kadafi

Via Rebelión


John Wigt - Counter Punch
Tradução do espanhol: Renzo Bassanetti


No dia 20 de outubro de 20111, o presidente da Líbia, Muammar Al-Kadafi foi brutalmente assassinado por uma turba da OTAN respaldada pelos “rebeldes”, depois de ter sido agredido e violado da maneira mais brutal. Hoje, a história não deixa nenhuma dúvida de que naquele dia não assassinaram somente o líder líbio, mas também a própria Líbia.  


A turma que mudou o regime, dominada pelos governos ocidentais, tem uma longa folha de acusações contra seus integrantes. Desde o 11-S, quando começaram a causar estragos e miséria humana em grande escala em sua determinação de reformar e possuir, com opção de compra, a todo um mundo que nunca foi deles: Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria – atualmente envolta em um conflito implacável para sua sobrevivência como Estado laico e não sectário – são o legado miserável de nações que falam a linguagem da democracia enquanto praticam a política da dominação.


Por parte das vítimas antes citadas do imperialismo ocidental há um grande argumento para afirmar que a destruição da Líbia se constitui em um delito especialmente grave. Além de tudo, em 2010, ano anterior ao em que ela experimentou sua “revolução”, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento considerava a Líbia como um país de alto desenvolvimento no Oriente Médio e no norte da África. Em termos concretos, a tradução desse status levava à uma taxa de alfabetização de 88,4%, para uma expectativa de vida de 74,5 anos, igualdade de gênero e vários indicadores positivos mais. Além disso, a Líbia desfrutou de um crescimento econômico de 4,2% em 2010, e podia dispor de ativos de mais de 150 bilhões de dólares no exterior.  


Comparem esses dados com os da Líbia de 2016. De acordo com o testemunho proporcionado no mês de março deste ano pelo general David Rodriguez, do exército dos EUA ao Comitê de Serviços Armados  do Senado dos Estados Unidos, a Líbia é um estado falido, e o general estima que levaria “mais ou menos 10 anos” para conseguir uma estabilidade a longo prazo no que ele considera “uma sociedade dividida”.


Atualmente, não existe um governo único ou autoridade na Líbia cujas ordens sejam executadas em todo o país. Em seu lugar, três autoridades rivalizam para controlar seus próprios feudos. O governo reconhecido internacionalmente é o Governo de Acordo Nacional (GNC, por suas siglas em inglês), dirigido por Fayez al-Sarat, localizado na capital, Tripoli. Também temos o Governo de Salvação Nacional, liderado por Khalifa Ghwell, também baseado em Tripoli. Por seu lado, o terceiro centro de poder se encontra em Tobruk, no leste do país. É dirigido por um general anti-islamista, Khalifa Haftar, que comanda o Exército Líbio (LNA). Economicamente, as receitas com o petróleo, recurso que representava 90% do ingresso nacional  na era Kadhafi, reduziram-se à metade, a violência tem se generalizado, e desde 2011 o Daesh conseguiu tomar pé na Líbia, embora nos últimos meses a organização terrorista tenha ficado sob grande pressão das forças do Governo de Acordo Nacional em seu reduto de Sirte.


O impacto do caos que tomou conta do país desde que Kadafi foi derrubado e assassinado pode ser medido através da torrente de líbios que tem tentado a perigosa viagem através do Mediterrâneo com o objetivo de chegar à Europa. Nesse processo, milhares e milhares de pessoas têm perecido.     


A resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em março de 2011, marcou o final da primavera árabe e o começo do inverno árabe. As manifestações massivas e populares que conseguiram derrubar o ditador tunisino Ben Ali e seu homólogo egípcio Hosni Mubarak não se repetiram na Líbia. Em troca, em Bengazi, onde se centrou o movimento anti-Kadhafi, predominavam os islamistas. Não havia nenhum movimento de massas em escala nacional na Líbia, como os que tomaram conta da Tunísia e do Egito, assim como também não havia apoio popular para derrotar o Governo e seu líder, que presidiu uma sociedade que desfrutou de uma qualidade de vida mais alta do que a de qualquer outro país na África.    


Não foram as forças da oposição de Bengazi as que venceram as forças leais a Kadafi, mas sim as forças da OTAN. De fato, a OTAN interveio  no momento em que as forças armadas do país se aproximavam de Bengazi, preparadas para esmagar o levantamento, baseando-se ela na mentira da proteção aos civis, quando na realidade tinha a intenção de mudar o regime.  


Para os olhos do Ocidente, o crime de Kadafi  não foi o de ter sido um ditador autoritário. Como poderia ter sido, se na região era um aliado da Arábia Saudita? Seu crime, revelado aos olhos ocidentais nos e-mails reservados de Hillary Clinton, publicados por Wikileaks em janeiro deste ano, foi ter a intenção de estabelecer uma divisa como moeda de reserva internacional da África, respaldada por ouro para competir com o euro e com o dólar. Nesse sentido, o presidente francês de então, Nicolas Sarkozy e a secretária de estado dos EUA, Hillary Clinton, foram atores-chave no impulso para a intervenção da OTAN. O petróleo líbio também foi um fator importante.


As mensagens secretas de correio eletrônico provam, acima de qualquer dúvida, que o que ocorreu na Líbia foi um crime monstruoso cujos responsáveis ainda tem que prestar contas. Mas ao contrário, Sarkozy está preparando outra candidatura sua para a presidência da França, enquanto que Hilary Clinton  é a favorita para ganhar a corrida para a Casa Branca contra o candidato republicano Donald Trump.


Desses dois, Clinton  foi filmada aplaudindo e rindo da notícia do assassinato de Muammar Kadafi em 2011. Foi ela que pressionou para a intervenção militar que terminou com a destruição da Líbia. E é ela que tem o descaramento em apresentar-se para a presidência dos EUA como uma gigante moral em comparação com seu rival.


O povo líbio bem que poderia estar em desacordo com isso.


John Wight é o  autor de uma políticamente incorreta e irreverente memória de Hollywood "Dreams That Die" publicada por Zero Books. Também  escreveu cinco novelas, que estão disponíveis como livros eletrônicos como Kindle eBooks. Pode ser seguido no Twitter em @JohnWight1.

http://gilsonsampaio.blogspot.com.br/2016/10/hillary-clinton-e-o-brutal-assassinato_26.html

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

10 das pessoas mais detestadas pelos brasileiros

Tivemos uma novidade ontem: Moro demonstrou não ser saber quanto é rejeitado por vastas porções de brasileiros que não se limitam a petistas.
Inspirado nisso, decidi montar uma lista de 10 pessoas especialmente detestadas entre progressistas de variadas procedências. Algumas sabem. Outras, como Moro, não. Se isso conforta Moro, uma coisa é certa: ele não está só.
1) Moro.
O primeiro é ele mesmo, pelo seu papel de justiceiro no comando da Lava Jato. Alguns, iludidos, imaginaram que Moro estivesse mesmo à frente de uma cruzada anticorrupção. Os fatos, porém, logo mostraram que a cruzada era mesmo contra o PT, em geral, e Lula, em particular.
2) Temer.
Conspirou, traiu, deu um golpe. No poder, notabilizou-se por carregar uma taxa baixíssima de popularidade, plenamente merecida. E por fugir, acoelhado, de todo contato com o povo, por medo de vaias. Não bastasse, tentou reintroduzir as mesóclises da linguagem dos brasileiros.
3) Cunha.
Bem, este dispensa explicações. Está condenado a ser xingado de ladrão até o último de seus dias.
4) FHC.
É outro caso parecido com o de Moro. Parece não se dar conta de quanto é abominado. Mas seu papel infame no golpe alçou-o à lista dos detestados.
5) Aécio
Consagrou-se como o pior perdedor da história da República ao jamais admitir a vitória de Dilma. Amigo dos donos da mídia, sempre foi preservado de noticiário embaraçoso. Citado amplamente nas delações, ainda consegue fazer discursos moralistas como se fosse uma referência ética nacional.
6) Serra.
Como Cunha, dispensa explicações.
7) Gilmar Mendes.
O jornalista americano Glenn Grenwald resumiu tudo: “Nunca vi um juiz como ele no mundo.” Gilmar subverteu o conceito de que um magistrado não se mete nas coisas da política.
8) Marta ex-Suplicy.
Nunca foi exatamente uma campeã de simpatia e de popularidade. Mas sua atuação no golpe elevou ao máximo a antipatia que as pessoas sentem de Marta. Foi uma golpista impenitente e convicta. Recebeu a justa recompensa nas eleições para a prefeitura de São Paulo.
9) Cristovam Buarque.
É outro que, como Moro, parece não ter noção de quanto é rejeitado. Ilude-se com a ideia de que apenas os petistas lhe fazem restrições por ter contribuído para o golpe.
10) Janaína Paschoal.
Quem esquece seus espetáculos delirantes em “defesa” da Constituição? E os 45 000 reais que o PSDB lhe pagou pelo parecer que deu origem ao golpe?

http://www.diariodocentrodomundo.com.br/moro-nao-esta-so-uma-lista-com-10-das-pessoas-mais-detestadas-pelos-brasileiros-por-paulo-nogueira/